sexta-feira, 8 de maio de 2015

Aconteceu no dia 06 de maio de 2015 o Encontro com o Circo, em Brasília. O evento faz parte de uma série de conversas para elaboração da Política Nacional das Artes. Já foram realizados eventos semelhantes com a classe musical e com a área do teatro.

Encontro com o circo debate políticas públicas para o setor

Mario Júnior nasceu no picadeiro, entre artistas, lonas, trapézios e arquibancadas, mas atualmente, aos 37 anos, como motoqueiro do globo da morte, teme pela vida do circo. "O circo brasileiro não morreu, mas está na UTI. O potencial é muito bom, mas você tem que formar artistas. Hoje, o circo não consegue um artista para cada função. Cada pessoa exerce duas ou três funções. As crianças se desinteressaram pelo circo, querem o videogame. Falta estímulo para a formação de artistas", contou.

Júnior é um dos proprietários do circo Fantástico do Paraná e luta por um projeto nacional, uma lei do circo, que garanta direitos aos artistas e representantes do setor. E foi pensando nas inúmeras dificuldades pelas quais passa o circo brasileiro que o Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Fundação Nacional de Artes (Funarte), realizou, na tarde dessa terça-feira (5), em Brasília, o Encontro com o Circo. Transmitido ao vivo pelo site e redes sociais do ministério, o evento buscou ampliar o debate sobre as políticas públicas para as artes circenses.

Participaram do encontro, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o presidente da Funarte, Francisco Bosco, o diretor do Centro de Artes Cênicas da instituição, Leonardo Lessa, e o coordenador de circo, Marcos Teixeira Campos, além de artistas, produtores e representantes do setor. O ministro Juca Ferreira destacou a importância do diálogo. "Eu encaro que não há possibilidade de se construir política cultural sem esse diálogo, dentro de gabinete". 
Dentre os problemas destacados pela área circense estão a polêmica de maus tratos de animais, o pagamento de impostos, a falta de incentivos e créditos e a importação de equipamentos, entre outros. Segundo a presidente do circo Spacial, Marlene Querubin, ao todo, existe no país cerca de 2 mil circos, sendo 1,5 mil pequenos e micros, 500 médios e 35 grandes. Mas esses números estão longe de serem precisos, pois não existe um mapeamento oficial do setor.

 Para a administradora do circo Kroner, Evelyn Klein, esse mapeamento é uma demanda que existe há mais de 20 anos. "A gente não tem um mapeamento. A gente não tem números legais. A gente não tem censo. O circo não é só o brilho do espetáculo à noite. Quando vai ter o censo geral do Brasil, a gente não existe. Nunca entrou um censo num circo para perguntar nada", lamentou. "Legalmente, a gente não existe, mas na hora de votar a gente existe, na hora de pagar impostos, a gente existe. Viemos pedir o censo porque o mundo que tem dentro do circo é grande e está passando despercebido", observou Evelyn, que é mágica da 5ª geração de uma família circense.

 O ministro Juca Ferreira avaliou positivamente o debate. "A reunião foi boa. Tratamos de assuntos mais emergenciais em relação às questões estratégicas do circo em 2015. Não tratamos de nada absolutamente novo, mas de tudo que será renovado, porque são as questões sensibilizadas da área do circo que o ministério levará em consideração", destacou.

 O presidente da Funarte, Francisco Bosco, classificou o encontro como excelente, ouviu as reivindicações e, inclusive, se comprometeu a compensar o setor por causa da não publicação do edital Carequinha de estímulo ao circo no ano passado. "No campo imediato, foi importante termos conversado sobre o edital Carequinha, que não foi realizado em 2014. Então, a Funarte se compromete com algum tipo de compensação para o circo, que foi prejudicado", afirmou. "Houve uma análise maior sobre diversos temas, alguns que podem ser encaminhados agora junto à assessoria parlamentar do ministério e outros que devem ser incorporados a essa agenda da Política Nacional das Artes, que é um conjunto de políticas públicas mais estruturantes que envolve o circo e as demais linguagens".













Conteúdo retirado do site do Ministério da Cultura.

(www.cultura.gov.br)

domingo, 3 de maio de 2015

O circo não pode morrer

Em busca de entretenimento e  distração muitos pais e filhos acabam se envolvendo no “mar” da tecnologia, esquecendo o quanto a simplicidade o contato com a realidade é muito mais prazeroso e unificador.
Horas e horas na frente de um computador, tablet ou celular não se iguala  a um riso solto após uma palhaçada, ao frio na barriga a cada salto ou equilíbrio, a beleza do contorcionismo, a delicadeza e a coragem nas alturas, a curiosidade da magia e a adrenalina das motos voadoras, aonde encontrar esse conjunto de sentimentos que renova e da vida? Em uma tenda com algumas cadeiras eis aqui o Circo que toca tantas vidas.

Uma cultura que existe no Brasil desde o século XIX não pode morrer no século XXI quando o mundo  mais clama pelo contato “físico” e pelo amor ao próximo, estar em um espetáculo nos faz vivenciar a alguns metros tantas emoções que uma tela de diferenciadas polegadas não proporciona.

 As cores, o inusitado fazem os olhos brilharem, e quando se acha que acabou sempre existe mais surpresas, então vamos prestigiar os grandes e os pequenos circos, vamos respeitar e aplaudir de pé quem os mantém vivo, pois em um mundo que se vive tão isoladamente, reunir milhares de pessoas com proposito de adicionar energias boas é um trabalho que merece todo o apoio e consideração.
Não deixe o Circo morrer o encanto não pode parar. 
Palhaço Potato  *:° )

“Não chores por que o espetáculo terminou, sorria porque o espetáculo da vida aconteceu.”
Wanessa Guiner em apresentação
Com muito entusiasmo e simpatia Wanessa Guiner artista circense que esteve em São José do Rio Preto em março com o Circo Kroner  me concedeu uma entrevista, hoje ela está se apresentando no Circo Montreal do Rio de Janeiro.

1-         Como o circo entrou na sua vida e a quanto tempo trabalha no meio?
Então, eu já nasci no circo, minha família é toda circense, tenho 24 anos de circo, sou  a quarta geração da minha família.

2-    Como foi sua educação escolar ? Frequentou escolas regulares?
 Sim, eu tenho o ensino médio completo. E assim, tem  uma lei que  ampara as crianças de circo, toda escola é obrigada a aceitar a criança circense para estudar o tempo que ela for ficar na cidade. É bem complicado sabe, porque perdemos muita matéria, provas, mais nada impede da gente estudar.

         Assistindo sua apresentação com o bambolê não tem como não recordar da nossa infância, onde brincávamos com ele, como surgiu essa apresentação para você?
Eu tentei fazer várias coisas no circo mais o que me encantou mesmo foi o bambolê via minha tia fazer e dai quis  aprender,  eu aprendi sozinha vendo vídeos, demorei um ano para aprender.

        Para você qual a  importância do circo na formação das crianças? Como você vê a participação delas nos espetáculos?
Olha, eu acho muito importante a presença do circo na vida das crianças, pois é um meio de ficar longe de tudo que é ruim como drogas e etc... Nossa, não tenho nem palavras para explicar a emoção que me dá em ver uma criança no picadeiro do circo, lembro de quando eu era pequena e ficava doida para participar das apresentações é um orgulho pra mim  ver  uma criança  levando nosso trabalho adiante.

           Em algum momento já passou pela sua cabeça trabalhar em outro meio?

Olha, a três anos meus pais pararam de trabalhar com circo e eu tentei fazer o mesmo, mais é impossível, pois amo minha profissão e não consigo ficar longe do circo. E se caso um dia eu parar, iria trabalhar dando aulas de circo.