Aconteceu no dia 06 de
maio de 2015 o Encontro com o Circo, em Brasília. O evento faz parte de uma série de
conversas para elaboração da Política Nacional das Artes. Já foram realizados
eventos semelhantes com a classe musical e com a área do teatro.
Encontro com o circo debate políticas
públicas para o setor
Mario Júnior nasceu no picadeiro, entre artistas, lonas,
trapézios e arquibancadas, mas atualmente, aos 37 anos, como motoqueiro do
globo da morte, teme pela vida do circo. "O circo brasileiro não morreu,
mas está na UTI. O potencial é muito bom, mas você tem que formar artistas.
Hoje, o circo não consegue um artista para cada função. Cada pessoa exerce duas
ou três funções. As crianças se desinteressaram pelo circo, querem o videogame.
Falta estímulo para a formação de artistas", contou.
Júnior é um dos proprietários do circo Fantástico do
Paraná e luta por um projeto nacional, uma lei do circo, que garanta direitos
aos artistas e representantes do setor. E foi pensando nas inúmeras
dificuldades pelas quais passa o circo brasileiro que o Ministério da Cultura
(MinC), em parceria com a Fundação Nacional de Artes (Funarte), realizou, na
tarde dessa terça-feira (5), em Brasília, o Encontro com o Circo. Transmitido
ao vivo pelo site e redes sociais do ministério, o evento buscou ampliar o debate
sobre as políticas públicas para as artes circenses.
Participaram do encontro, o ministro da Cultura, Juca
Ferreira, o presidente da Funarte, Francisco Bosco, o diretor do Centro de
Artes Cênicas da instituição, Leonardo Lessa, e o coordenador de circo, Marcos
Teixeira Campos, além de artistas, produtores e representantes do setor. O
ministro Juca Ferreira destacou a importância do diálogo. "Eu encaro que
não há possibilidade de se construir política cultural sem esse diálogo, dentro
de gabinete".
Dentre os problemas destacados pela área circense estão a
polêmica de maus tratos de animais, o pagamento de impostos, a falta de
incentivos e créditos e a importação de equipamentos, entre outros. Segundo a
presidente do circo Spacial, Marlene Querubin, ao todo, existe no país cerca de
2 mil circos, sendo 1,5 mil pequenos e micros, 500 médios e 35 grandes. Mas
esses números estão longe de serem precisos, pois não existe um mapeamento
oficial do setor.
Para a
administradora do circo Kroner, Evelyn Klein, esse mapeamento é uma demanda que
existe há mais de 20 anos. "A gente não tem um mapeamento. A gente não tem
números legais. A gente não tem censo. O circo não é só o brilho do espetáculo
à noite. Quando vai ter o censo geral do Brasil, a gente não existe. Nunca
entrou um censo num circo para perguntar nada", lamentou.
"Legalmente, a gente não existe, mas na hora de votar a gente existe, na
hora de pagar impostos, a gente existe. Viemos pedir o censo porque o mundo que
tem dentro do circo é grande e está passando despercebido", observou
Evelyn, que é mágica da 5ª geração de uma família circense.
O ministro Juca
Ferreira avaliou positivamente o debate. "A reunião foi boa. Tratamos de
assuntos mais emergenciais em relação às questões estratégicas do circo em 2015.
Não tratamos de nada absolutamente novo, mas de tudo que será renovado, porque
são as questões sensibilizadas da área do circo que o ministério levará em
consideração", destacou.
O presidente da
Funarte, Francisco Bosco, classificou o encontro como excelente, ouviu as
reivindicações e, inclusive, se comprometeu a compensar o setor por causa da
não publicação do edital Carequinha de estímulo ao circo no ano passado.
"No campo imediato, foi importante termos conversado sobre o edital
Carequinha, que não foi realizado em 2014. Então, a Funarte se compromete com
algum tipo de compensação para o circo, que foi prejudicado", afirmou.
"Houve uma análise maior sobre diversos temas, alguns que podem ser
encaminhados agora junto à assessoria parlamentar do ministério e outros que
devem ser incorporados a essa agenda da Política Nacional das Artes, que é um
conjunto de políticas públicas mais estruturantes que envolve o circo e as
demais linguagens".
Conteúdo
retirado do site do Ministério da Cultura.
(www.cultura.gov.br)





